terça-feira, 29 de julho de 2008


Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois,A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.E o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.Ter afinidade é muito raro.Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.É ficar conversando sem trocar palavras, é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.Não é sentir nem sentir contra... Nem sentir para... Nem sentir por... Nem sentir pelo...
Afinidade é sentir com.Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.É olhar e perceber...É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.Porque tempo e separação nunca existiram, foram apenas oportunidades dadas pela vida.
Artur da Távola

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