terça-feira, 28 de julho de 2009



Quando você está solteira, você deseja um namorado bacanérrimo, inveja todos oscasais que vê pela frente, fica com um monte de caras cheirosos, deliciosos ecanalhas (na sua opinião), sai pra lá e pra cá com suas amigas malucas queobviamente te divertem e acaba (depois de quatro doses a mais) com um discursomanjado de como está difícil achar alguém legal pra dividir a vida, dividir osmedos, o café da manhã, as contas e o tédio de domingo.
E o blábláblá não acaba…
Nós somos poderosas, evoluídas, revolucionárias, os pobres-coitados são sempreculpados. E vamos descer a lenha: tem que ser muito homem pra ficar com uma mulhercomo você, independente, linda, engraçada,com texto forte, personalidade e corpão.
Mentira minha?
Tire a culpa da sua bolsa, jogue em cima do rapaz, cara paleozóico, que só quer umafigura dócil para afirmar sua masculinidade, fazer bonito na frente dos outros epoder dispensar as outras lindas e interessantes que aparecerem (logicamente, depoisde beijar e iludir cada uma) com a frase mais usada no mundo: “sabe o que é? Eutenho namorada!”.
“Hã?”, você pergunta incrédula. O canalha tem namorada.
E você chora pelo babaca, diz que os homens são todos iguais, nunca mais vai seapaixonar de novo (mesmo que tenha um Santo Antônio escondido em casa), se embolacom namoros virtuais e não entende porque só atrai gente problemática.
Você se reconheceu em alguma palavra até aqui? Sinto dizer, é a vida.
Mas como o mundo dá voltas e um dia é da caça e o outro (oba!!) do caçador, uma certahora todo esse material maravilhoso que você é se depara com uma pessoa incrível quete faz acreditar que amor não é marketing, nem invenção de Shakespeare.
E você se sente abençoada, agradece aos céus por achar um cara tão sensível e vocêsvivem felizes para sempre.
Felizes e apaixonados até constatarem o óbvio: ninguém é perfeito.
Aí meu bem, começa um outro discurso. Nem melhor nem pior, mas diferente.
É reclamação que não acaba, a velha saudade da vida de solteira que bate, aqueledefeito charmoso dele agora faz você ficar louca. Louca, não, louquíssima.
E você sente falta de acordar sozinha, sente falta do seu espaço, sente falta dassuas amigas e das noites divertidas e vazias que vocês passavam (lógico que não eramvazias, vocês tinham umas às outras!), sente falta de não ter que ligar e darexplicação de onde você estava e o pior: começa aachar graça naquele cara que você nunca achou a menor graça.
Mentira minha? Pois é.
Solteiros, casados, juntados, a questão não é o estado civil, mas a sensação quevolta-e-meia volta: nunca estamos satisfeitos.
A vida é feita de escolhas e em cada escolha há uma perda. E perder dói.
Se você se sente plenamente realizado todos os dias com alguém que você convive hámuito tempo (namoros à distância e paixões tumultuadas não estão em questão),parabéns, eu não conheço ninguém igual a você.
Porque não é fácil ficar sozinho, não é fácil viver com alguém, mesmo que seja ogrande amor da sua vida.
Conviver é uma arte complicada. Haja tolerância, paciência e jogo de cintura paraagüentar nossos defeitos e os do outro.
Viver sozinho também não é mole. Haja sabedoria para estar só e se sentir sempre empaz.
Mas como nada nuncaé perfeito, penso que a única saída é aproveitar cada momento (independente doestado civil que você se encontre) e aceitar a realidade como um presente.
Porque perfeito mesmo só a imperfeição. Que faz ter sentido até o que não se explica.


Um comentário:

Antônio Lídio Gomes disse...

Sil, vim conhecer teu blog e gostei.
Tuas palavras são reflexões e bem oportunas.
Seja bem vinda, posso te seguir?
Se me permite, gostaria de recomendar os seguintes filmes: Os Outros, K-Pax, Priscilla a rainha do deserto.
Um fraterno abraço.