sexta-feira, 8 de agosto de 2008

OS PÉS QUE NÃO CAMINHAM CRIAM RAÍZES...

Quem é que nunca teve um Alexandre na vida?
Tudo bem, pode ser um Bruno ou Rafael ou
Thiago...
Pode ser também uma Vanessa,
Claudia, Giselle, Renata... Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa...
Sair todas as noites, ter os finais de semana
resumidíssimos e vê-los passar num piscar de olhos cansa!
Cansa na hora em que você percebe que ter 10 mulheres ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma
e ter apenas uma,
é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo.

A "fila" anda, a coleção de "figurinhas" cresce,
a conta de telefone é sempre altíssima, mas e aí?
O que isso muda, o que acrescenta?
Nosso domingo de ressaca é sempre a nostalgia
da sexta e sábado que passou,
nos pegamos a uma lista de telefones no celular com 200 nomes dos quais 180 não lembramos quem é!
Domingo "o dia do namoro" você vê seu vizinho procurando no jornal o horário da sessão de cinema,
e você, deitado na cama!
Nessas horas vem aquela tradicional
perguntinha: Por que aquela pessoa a qual você trocaria um fim de semana inteiro por um simples filme com pipoca no sofá da sala,
não aparece de uma vez por todas na sua vida.
Se o tal do amor é
impontual e imprevisível, que se dane!
Não adianta: pessoas são impacientes, sonhadoras, iludidas, inexperientes, carentes.
São e sempre vão ser.

Tem gente que diz que não é...
"Eu não sou
ansioso, um dia aparece...
Seja o que tiver que ser...
Nem penso nisso..."
Jura de pé junto que não, mas vive sempre em
busca da cara metade!
Pode dar o nome que quiser: amor, alma
gêmea, par perfeito, amor da minha vida,
a outra metade da laranja, melancia e afins... No fim dá tudo no mesmo.

Pode soar brega, cafona... Mas é a realidade.
O amor por sinal é
cafonérrimo...
Vivemos sonhando com o dia em que passaremos o dia dos namorados com nossos amores,
imaginando como seria bom andar de mãos dadas, pelo menos, aquele dia.
Acredito que o
status de cafona surgiu porque a grande maioria das pessoas
nunca teve a oportunidade de viver um grande amor e seu para sempre nunca foi um para sempre de verdade.

Poucas pessoas nessa vida tiveram a oportunidade
de ter a sensação de sonhar acordada,
de dormir ao lado do telefone,
ter os olhos brilhando e desfilar com aquele sorriso de borboleta azul estampado na cara.
Nada no mundo muda por causa disso, mas ainda sim, tem o poder de congelar tudo em volta,
estancar a ferida aberta.

Não lembro se foi o Wando ou Reginaldo Rossi que disse que se Caetano não tivesse dito "To me sentindo muito sozinho"
e Marisa Monte optado pelo "Amor, i
love you..." eles não venderiam mais nenhum disco.
Não adianta o público gosta e vibra com o
brega.
Não adianta tentar tapar o sol com a peneira, o nome disso não é orgulho,
isso se chama hipocrisia e por mais que você não admita:
Você ficou triste por que
Di Caprio morreu no final do filme em "Titanic"
e ficou feliz pela
Julia Roberts e Richard Gere terminarem juntos em "Uma linda mulher".
Existe pelo menos uma música
sertaneja ou um pagodinho que te faça lembrar de alguém e te deixa na maior dor de cotovelo. Quando você está solteiro e vê um casal aos beijos na rua,
você sente a maior inveja de não estar lá no lugar deles e as pessoas em volta,
não percebem que falta metade do seu corpo e que você não consegue ser mais simpático pois, toda sua energia está concentrada para não tombar.
Você já se pegou escrevendo o nome da pessoa a qual você está apaixonada no espelho
embaçado do banheiro ou num pedacinho de papel.
Você já se viu cantando o
mantra, toca telefone, toca, em algumas sextas-feiras da vida ou em qualquer dia que seja.
Você já enfiou os pés pelas mãos alguma vez na vida e se atirou de cabeça numa relação sem nem perceber que você mal conhecia a outra pessoa e que com esse seu jeito de agir ela te acharia um louco.

Você assim como nos contos, imagina ouvir o tal "E foram felizes para sempre..." e nesse mesmo segundo nos pegamos querendo, procurando, implorando coisas que pareciam impossíveis, mas depois de um certo tempo, descobrimos que as coisas nem eram tão impossíveis assim.
Depois de um certo tempo, descobrimos que não somos a parte de nós que se mostra, somos a parte que fica, somos o que está dentro do embrulho, somos o resto que sobra...

E se não temos alguém pra partilhar tudo aquilo, nenhuma cor do mundo fica mais brilhante,
nenhuma musica fica mais fica mais vibrante, nenhum jardim fica mais florido ou cheiroso.

Não tem como fugir disso! Quantos amigos seus, que diziam que nunca iria se apaixonar por alguém e foi só aparecer um mais sincero ou carinhoso que pronto...
Ficaram babando. E foi assim que uma
piscadinha ou um sorriso mais intencional mudou suas vidas. E ao invés de nos prendermos as coisas que nos juntam umas as outras, nos pegamos exatamente àquelas que nos separam...
Diga
o que for, mas é muito bom ter aquela sensação de nostalgia, ou então aquela felicidade ao receber uma mensagem inesperada no telefone. Alguém conseguiria expressar em palavras, a sensação que nos sentimos quando a pessoa da qual estamos apaixonados tem aquela ceninha de ciúmes? Ou quando você acorda depois daquela noite maravilhosa e vê que a pessoa ainda está ali do seu lado! São esses momentos afetuosos e essa prova de conforto ou consolo depois de um dia ruim ou alegria por alguma palhaçada que ela fez ou um momento que ficou marcado que nos fazem querer esse brega pro resto da vida.
São essas nuancias singelas, quase imperceptíveis a quem está de fora, que nos fazem vivo. E de repente a nossa mudança é completa da noite pro dia, como nossos amigos, que sempre diziam o mesmo que nós e que hoje estão perdidos de amor. Essa mudança pode vir tão rápido que nem percebemos até que nos tenhamos mudado de vez, pode vir, no dia a dia através dessas bilhões de fibras que nos conectam ao mundo ou pode vir devagar se arrastando até o dia de nossa morte. E tudo aquilo que vivemos no passado, não nos influencia mais, porque o passado ganha cara de passado e o resto de nossas vidas, deixa de ser apenas o resto. Passa ser a ser o resto de todas as coisas que deixamos de aproveitar e vira o resto de nossa vida completa.
E como evoluímos como pessoa, nós superamos tanta coisa... Superamos as palavras ditas ontem, superamos nossas diferenças, brigas, mal entendidos, a distancia, os muros que havia entre nós, superamos até o medo e a nossa condição... É proporcional ao tempo que levou merecermos isso. E essas fibras invisíveis nos conectam por bilhões de efeitos e fatos e atos e suposições e momentos e causas. Nos faz apostar toda riqueza acumulada num cavalo desacreditado, pois a certeza de que ele vai cruzar a linha de chegada, não interfere no fato de ser em primeiro ou em ultimo, porque a única certeza que nos interessa é a de que os pés que não caminham, criam raízes.
E eu tenho pena de todas as pessoas que nunca sentiram isso, tenho pena pelas pessoas que desconhecem o que é encaixar a cabeça no vão entre seu pescoço e suas costas e querer ser embalsamado ali por mil anos, ou sentir o poder de ver tudo em "slowmotion", sentir o poder de congelar a natureza e preferir o sangue quente na testa. Acho uma traição, as pessoas que se dissipam por aí, dando seus pulmões para ares mais leves, pedaços de seus corações para sorrisos mais despretenciosos. Tenho pena dessas pessoas que escolheram essa maldita mania de viver no outono e acabam numa vida morna. São tipo de pessoas que olham pra trás e vêem uma folha em branco, sem nenhum amassado, nenhum borrado, mas também nenhum esboço, desenho ou obra de arte. Uma vida extinta de qualquer momento ou sentimento, que valha a pena ser lembrado ou contado ou pelo menos que lhe sirva de lição. Tenho pena das pessoas que resumem suas vidas a uma estrada sem transito, vazia... Enquanto outros resumem num caminhão de mudanças cheio de quinquilharias, momentos , laços invisíveis e histórias.
Nossas vidas ficam velhas a partir do momento que querermos um pouco de tudo e não muito de uma coisa só.

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