quarta-feira, 27 de agosto de 2008


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar:
"Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara
todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas,
com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos,
chegam sozinhas e saem sozinhas.
Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível.
E não é só isso não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico,
fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormirem
abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir",
só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo,
dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT,
o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!"
até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!"
Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio
a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos.
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz,
mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado,
mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens,
você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!),
aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la,
quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza,
um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra que pensar nele.
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada;
o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém:
"Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz!
(Arnaldo Jabor)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008



RESPEITO É BOM E EU GOSTO!
(Martha Medeiros)

Pra começo de conversa: nessa vida, a gente recebe o mesmo respeito que se dá.
O fulaninho aí faz o que bem entende de você não porque é galinha e sem-vergonha, mas porque a senhorita deixa.
Aceita esse papinho de ah, eu sou assim, não tenho jeito , e não importa como o moço se comporte,
continua deixando ele entrar debaixo dos seus lençóis.


Errado.
Você se importa, tanto que está fula da vida.
É que enquanto ele aprontar longe dos seus olhos,
não incomoda muito.
E, afinal, ele não é bem o que você quer, você está sozinha
e não tem nada a perder, é só sexo, etc.
Todas desculpas esfarrapadas que contamos a nós mesmas
pra não admitir que nos importamos,
que irrita, machuca e dói.
Que gostamos um pouquinho, sim mas admitir isso seria pior, porque ele poderia dizer não, né?

Então, em vez de correr o risco de ser dispensada,
você finge que não liga e aceita o que ele te oferece mesmo que seja menos do que gostaria e acha que merece.
Eu sei, eu também já fiz isso.
E sei bem que a gente quase se convence de que é verdade. Até que...

Até que o moço apronta uma que não dá
pra gente fingir que não viu, mesmo porque está todo mundo comentando.
Daí, parece tarde demais para reclamar, e seria mais humilhante assumir que te machucou.
Melhor sofrer quietinha, certo?

Errado de novo.
Nunca é cedo ou tarde demais pra exigir respeito.
Não importa se é ficante, rolo, namorado, amante, marido,
amigo colorido.
Todas nós temos o direito de sermos tratadas com consideração. E consideração não é dar em cima da amiga,
dizer que vai ligar e sumir, aparecer só no fim da balada,
quando todas as tentativas deram errado, etc.

O negócio é que se você fingir que é a rainha do gelo,
não se importa com nada e quer o moço mesmo assim,
ele também finge que acredita e não vai te tratar
com nenhum respeito.
Porque, meu bem, é você que não está se respeitando.
É você quem está passando por cima dos próprios sentimentos ele só veio atrás.

O que fazer então?
Sim, ele parece merecer uma surra, mas não é por aí.
Melhor procurá-lo e abrir o jogo: cara, eu gosto de você,
e isso que você fez me deixou mal.
Depois, impor limites ou simplesmente respeitar os seus.
Se ficar com esse cara te deixa assim, você não fica.
Se ele te procurar só porque não conseguiu traçar ninguém,
você pula fora.

Não, não é fácil fazer isso.
Já tive amigas que me disseram que não poderiam abrir o jogo assim porque não tinham intimidade com o cara.
Papinho. Vocês transam há um ano, mas não dá pra falar sobre sentimentos?
Ou não queriam arriscar perder o cara.
Mas, acredite: mesmo que ele dê o fora, não vai ser mais difícil do que aturar essa situação.

Se a intimação vai fazê-lo mudar? Talvez.
Mas o foco, não é fazê-lo se apaixonar, mas agir como um homem decente.
Você não pode exigir que ele te ame.
Mas pode, e deve, exigir que te trate com respeito é por isso que você vai lavar a roupa suja.
Se há mesmo alguma coisa há mais entre vocês, é bem provável que ele prefira mudar.

Mas... o fulano também pode dizer que você é louca
ou que não está a fim.
Nesse caso, meu bem, por que diabos você está perdendo tempo com um cara desses?
Nem companhia, nem orgasmo nenhum no mundo valem a pena se for pra ser tratada desse jeito.
A fila anda, e tem outros moços decentes por aí.
Que você só vai conhecer quando começar a se tratar com decência.

Ah, sim. Aquela outra garota?
Se não era sua amiga íntima, deixa quieto. Seu problema é com o fulano, não com ela.
Transferir a frustração não resolve nada.
Soque a pessoa certa.

domingo, 10 de agosto de 2008

Quando a gente conhece uma pessoa,
construímos uma imagem.
A imagem tem a ver com as nossas expectativas
e mais ainda com o que ela "vende" de si mesma.
É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos.
Se a pessoa for parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se dela mais tarde, não será tão penoso.
Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa,
mas nada que resista por muito tempo.
No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você acreditou,
virá um processo mais lento: a de desconstrução daquilo que você achou que era real.
Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos, desconstruindo Carla.
Milhares de pessoas vivem seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão "desconstruindo ilusões".
Tudo porque se apaixonaram por uma fraude,
não por alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos.
Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco.
Nada disso, é a hora de fazer charme.
Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é,
nossas gracinhas, manias e imperfeições.
Isso se formos honestos.
Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes,
até que um dia cansam da brincadeira,
deixam cair a máscara e o outro fica ali,
sem entender absolutamente nada.
Quem se apaixonou por uma mentira, tem que desconstruí-la para"desapaixonar".
É um sufoco.
Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia,
que você é capaz de se deixar confundir,
que o seu desejo é mais forte do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento bacana
não chegou a existir, que tudo não passou deu ma representação. Talvez até não tenha sido por mal,
pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma,
por isso ela se inventa.
Sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia,
tudo o que foi construído se manterá de pé.
Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que alguém que gostamos não é,
e nem nunca foi, ESPECIAL.

Martha Medeiros

Fracassos nao existem


As dores que surgem em nossas vidas nada mais são
do que excelentes oportunidades de aprender algo diferente. Toda e qualquer dor vem para avisar
que a atitude que nós tomamos naquele momento é inadequada. O que nos leva ao fracasso é a expectativa.
Reparem como as pessoas esperam coisas da vida.
Esperam que se comportem bem, e que se amem, respeito do próximo... e por aí vai.
As pessoas precisam ter em mente que, na maioria das vezes, a realidade da vida passam longe das suas expectativas.
Observe que, quando você "se desliga"
e não fica ansioso com um assunto, o retorno tende a vir rapidamente.
Se não conseguiu aquilo que tanto desejava, é porque ainda não estava pronto para esta conquista.

O fato de não haver conquistado o que tanto quer não significa que nunca vai ter sucesso.
Receba o fracasso ou erro naturalmente - como uma tentativa ou um aprendizado, por exemplo.
Mude de estratégia, mude a atitude interior.
Seja vulnerável diante da aprendizagem que a vida impõe
para qualquer pessoa neste planeta.
Não importa em que área da vida fracassou:
afetiva, financeira, profissional, social ou familiar.
Deixe a culpa de lado, não só em relação a você mesmo, mas em relação aos outros também.

Quando alguém não consegue o que quer,
costuma culpar os outros e se colocar na posição de vítima.
Ninguém aprende nada a não ser com os erros que comete.
Caso se cobre demais, certamente acabará criando condições para novos erros.
Portanto, mude de atitude.
Seja prático! Melhore o modo de se tratar, de se assumir, de se considerar.
Agindo assim, estará se aperfeiçoando e exercendo o auto-respeito.

Luiz Antonio Gasparetto.

O homem dos meus sonhos,
tem que ter qualquer coisa de menino maluquinho,
de caçador diante da presa,
de amigo nas horas difíceis,
de amante à moda antiga,
de poeta apaixonado.
Valentino com as mulheres, Einstein na inteligência
e Gandhi na sabedoria.
Mas, se nada disso tiver...
só tem que ser alguém que toque a minha alma e eu a sua, compartilhe meus sonhos,
as minhas alegrias e minhas tristezas.
Que ame a vida,
o sorriso de uma criança,
um dia de sol.
Que goste de tomar coca de canudinho,
sorvete na praia,
um vinho à luz de velas.

Que se emocione com uma noite de luar,
uma madrugada de chuva.
Que tenha arrepios com Hitchcok,
que chore com Ghost,
que se divirta com os Simpsons
e que ache o máximo assistir a sessão desenhos num domingo de manhã.
Um homem que queira fazer amor a qualquer hora,
em qualquer lugar.
Que na hora do amor viva as minhas e as suas fantasias, que me queira como fêmea, amante, mulher e...
que seja "meu homem".
Que depois do amor, durma em meus braços...
sabendo que pertencemos um ao outro.
E... que hoje, será sempre o primeiro dia do resto de nossas vidas. "Ah ! E que nunca esqueça de dizer te amo !!!
(Autor desconhecido)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

OS PÉS QUE NÃO CAMINHAM CRIAM RAÍZES...

Quem é que nunca teve um Alexandre na vida?
Tudo bem, pode ser um Bruno ou Rafael ou
Thiago...
Pode ser também uma Vanessa,
Claudia, Giselle, Renata... Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa...
Sair todas as noites, ter os finais de semana
resumidíssimos e vê-los passar num piscar de olhos cansa!
Cansa na hora em que você percebe que ter 10 mulheres ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma
e ter apenas uma,
é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo.

A "fila" anda, a coleção de "figurinhas" cresce,
a conta de telefone é sempre altíssima, mas e aí?
O que isso muda, o que acrescenta?
Nosso domingo de ressaca é sempre a nostalgia
da sexta e sábado que passou,
nos pegamos a uma lista de telefones no celular com 200 nomes dos quais 180 não lembramos quem é!
Domingo "o dia do namoro" você vê seu vizinho procurando no jornal o horário da sessão de cinema,
e você, deitado na cama!
Nessas horas vem aquela tradicional
perguntinha: Por que aquela pessoa a qual você trocaria um fim de semana inteiro por um simples filme com pipoca no sofá da sala,
não aparece de uma vez por todas na sua vida.
Se o tal do amor é
impontual e imprevisível, que se dane!
Não adianta: pessoas são impacientes, sonhadoras, iludidas, inexperientes, carentes.
São e sempre vão ser.

Tem gente que diz que não é...
"Eu não sou
ansioso, um dia aparece...
Seja o que tiver que ser...
Nem penso nisso..."
Jura de pé junto que não, mas vive sempre em
busca da cara metade!
Pode dar o nome que quiser: amor, alma
gêmea, par perfeito, amor da minha vida,
a outra metade da laranja, melancia e afins... No fim dá tudo no mesmo.

Pode soar brega, cafona... Mas é a realidade.
O amor por sinal é
cafonérrimo...
Vivemos sonhando com o dia em que passaremos o dia dos namorados com nossos amores,
imaginando como seria bom andar de mãos dadas, pelo menos, aquele dia.
Acredito que o
status de cafona surgiu porque a grande maioria das pessoas
nunca teve a oportunidade de viver um grande amor e seu para sempre nunca foi um para sempre de verdade.

Poucas pessoas nessa vida tiveram a oportunidade
de ter a sensação de sonhar acordada,
de dormir ao lado do telefone,
ter os olhos brilhando e desfilar com aquele sorriso de borboleta azul estampado na cara.
Nada no mundo muda por causa disso, mas ainda sim, tem o poder de congelar tudo em volta,
estancar a ferida aberta.

Não lembro se foi o Wando ou Reginaldo Rossi que disse que se Caetano não tivesse dito "To me sentindo muito sozinho"
e Marisa Monte optado pelo "Amor, i
love you..." eles não venderiam mais nenhum disco.
Não adianta o público gosta e vibra com o
brega.
Não adianta tentar tapar o sol com a peneira, o nome disso não é orgulho,
isso se chama hipocrisia e por mais que você não admita:
Você ficou triste por que
Di Caprio morreu no final do filme em "Titanic"
e ficou feliz pela
Julia Roberts e Richard Gere terminarem juntos em "Uma linda mulher".
Existe pelo menos uma música
sertaneja ou um pagodinho que te faça lembrar de alguém e te deixa na maior dor de cotovelo. Quando você está solteiro e vê um casal aos beijos na rua,
você sente a maior inveja de não estar lá no lugar deles e as pessoas em volta,
não percebem que falta metade do seu corpo e que você não consegue ser mais simpático pois, toda sua energia está concentrada para não tombar.
Você já se pegou escrevendo o nome da pessoa a qual você está apaixonada no espelho
embaçado do banheiro ou num pedacinho de papel.
Você já se viu cantando o
mantra, toca telefone, toca, em algumas sextas-feiras da vida ou em qualquer dia que seja.
Você já enfiou os pés pelas mãos alguma vez na vida e se atirou de cabeça numa relação sem nem perceber que você mal conhecia a outra pessoa e que com esse seu jeito de agir ela te acharia um louco.

Você assim como nos contos, imagina ouvir o tal "E foram felizes para sempre..." e nesse mesmo segundo nos pegamos querendo, procurando, implorando coisas que pareciam impossíveis, mas depois de um certo tempo, descobrimos que as coisas nem eram tão impossíveis assim.
Depois de um certo tempo, descobrimos que não somos a parte de nós que se mostra, somos a parte que fica, somos o que está dentro do embrulho, somos o resto que sobra...

E se não temos alguém pra partilhar tudo aquilo, nenhuma cor do mundo fica mais brilhante,
nenhuma musica fica mais fica mais vibrante, nenhum jardim fica mais florido ou cheiroso.

Não tem como fugir disso! Quantos amigos seus, que diziam que nunca iria se apaixonar por alguém e foi só aparecer um mais sincero ou carinhoso que pronto...
Ficaram babando. E foi assim que uma
piscadinha ou um sorriso mais intencional mudou suas vidas. E ao invés de nos prendermos as coisas que nos juntam umas as outras, nos pegamos exatamente àquelas que nos separam...
Diga
o que for, mas é muito bom ter aquela sensação de nostalgia, ou então aquela felicidade ao receber uma mensagem inesperada no telefone. Alguém conseguiria expressar em palavras, a sensação que nos sentimos quando a pessoa da qual estamos apaixonados tem aquela ceninha de ciúmes? Ou quando você acorda depois daquela noite maravilhosa e vê que a pessoa ainda está ali do seu lado! São esses momentos afetuosos e essa prova de conforto ou consolo depois de um dia ruim ou alegria por alguma palhaçada que ela fez ou um momento que ficou marcado que nos fazem querer esse brega pro resto da vida.
São essas nuancias singelas, quase imperceptíveis a quem está de fora, que nos fazem vivo. E de repente a nossa mudança é completa da noite pro dia, como nossos amigos, que sempre diziam o mesmo que nós e que hoje estão perdidos de amor. Essa mudança pode vir tão rápido que nem percebemos até que nos tenhamos mudado de vez, pode vir, no dia a dia através dessas bilhões de fibras que nos conectam ao mundo ou pode vir devagar se arrastando até o dia de nossa morte. E tudo aquilo que vivemos no passado, não nos influencia mais, porque o passado ganha cara de passado e o resto de nossas vidas, deixa de ser apenas o resto. Passa ser a ser o resto de todas as coisas que deixamos de aproveitar e vira o resto de nossa vida completa.
E como evoluímos como pessoa, nós superamos tanta coisa... Superamos as palavras ditas ontem, superamos nossas diferenças, brigas, mal entendidos, a distancia, os muros que havia entre nós, superamos até o medo e a nossa condição... É proporcional ao tempo que levou merecermos isso. E essas fibras invisíveis nos conectam por bilhões de efeitos e fatos e atos e suposições e momentos e causas. Nos faz apostar toda riqueza acumulada num cavalo desacreditado, pois a certeza de que ele vai cruzar a linha de chegada, não interfere no fato de ser em primeiro ou em ultimo, porque a única certeza que nos interessa é a de que os pés que não caminham, criam raízes.
E eu tenho pena de todas as pessoas que nunca sentiram isso, tenho pena pelas pessoas que desconhecem o que é encaixar a cabeça no vão entre seu pescoço e suas costas e querer ser embalsamado ali por mil anos, ou sentir o poder de ver tudo em "slowmotion", sentir o poder de congelar a natureza e preferir o sangue quente na testa. Acho uma traição, as pessoas que se dissipam por aí, dando seus pulmões para ares mais leves, pedaços de seus corações para sorrisos mais despretenciosos. Tenho pena dessas pessoas que escolheram essa maldita mania de viver no outono e acabam numa vida morna. São tipo de pessoas que olham pra trás e vêem uma folha em branco, sem nenhum amassado, nenhum borrado, mas também nenhum esboço, desenho ou obra de arte. Uma vida extinta de qualquer momento ou sentimento, que valha a pena ser lembrado ou contado ou pelo menos que lhe sirva de lição. Tenho pena das pessoas que resumem suas vidas a uma estrada sem transito, vazia... Enquanto outros resumem num caminhão de mudanças cheio de quinquilharias, momentos , laços invisíveis e histórias.
Nossas vidas ficam velhas a partir do momento que querermos um pouco de tudo e não muito de uma coisa só.

VOCÊ É...
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

domingo, 3 de agosto de 2008

Para o lixo

Mando esta carta direto para você, desejando vê-lo reciclado o mais rápido possível. Espero que não esteja cheio de mim. O problema é que acordei me sentindo como você e, ao precisar escrever algo, pois me cobram, comecei a buscar assuntos para jogar fora. Você sabe: o lixo de um homem é o tesouro de outro.
Pensei em perguntar sobre aqueles poemas que enviei para você alguns anos atrás – lembra? A única pessoa que teve acesso a eles, além de você, não entende, até hoje, como é que eu amei tanto lixo em minha vida.
Pergunto-me a mesma coisa, de tempos em tempos: o que há em você, lixo, que me atrai e me engana tanto? Seguramente, não é o seu perfume. Nem a sua aparência – além de baixinho, não conheço ninguém que não o ache feio e desarrumado.
Você é cheio de cultura, não nego. E talvez tenha sido mesmo isso – essa transbordante quantidade de informação dentro de você – que tenha me encantado em sua personalidade, a princípio. Você guarda tudo: as críticas de jornal, as fofocas dos famosos, as declarações dos políticos, os horóscopos do dia.
Mas acontece que, quando esse tipo de coisa acaba, mostra-se vazio. Nada em você sugere profundidade ou durabilidade. É como se tudo passasse por seu interior sem jamais afetá-lo. Numa leveza que você não tem, pois é pesado e repetitivo – haja saco para agüentá-lo, às vezes.
Você deve estar de boca aberta neste instante, paralisado no seu canto, incapaz de reagir às minhas considerações. Como se eu estivesse jogando falsas acusações em sua cara, assim, na lata, a fim de me livrar de responsabilidades sobre as coisas.
Olha, lixo, estou pouco me lixando. Toda esta sua nova postura, de politicamente correto, não me engana. Você se diz cada vez mais ecológico, mas vive se escondendo debaixo de subterfúgios, sempre ligado aos abutres e a Brasília. Quando chove forte, aí, sim, você aparece, boiando sobre o assunto, para que a população saiba que você existe. Você não vale nada, essa é que é a verdade.
Sei que você vai me acusar de fazer sujeira contigo, mas no momento é o que me resta. Quantas vezes as minhas melhores intenções foram para você, lixo, terminando desperdiçadas?
Minhas mais verdadeiras cartas de amor, em você, sucumbiram. Minhas mais lindas frases de desabafo, em você, silenciaram. Meus mil desejos inconfessáveis, em você, desintegraram-se.
Depois que você entrou no meu computador, então, foi decepção atrás de decepção. É triste dizer, lixo, mas você desperta e traz à tona o que há de pior em mim. Quero você, ao mesmo tempo, o mais perto e o mais longe possível – sendo essa incongruência meu pior dilema.
Por isso, na última vez que cruzei com você, na rua, olhei para o outro lado. Anteontem, ao contrário, me encontrei com seu irmão, luxo, na mesma rua, e fiz questão de cumprimentá-lo. Incrível como vocês são tão parecidos e tão diferentes. Ele me deixa de alto-astral.
Um dia, achei que você não era de se jogar fora. Estava enganada. Hoje, resolvi tratar você como merece. E, se estiver pensando em se colocar no meu caminho, vá se catar. Ponha-se no seu lugar.
Fernanda Young

"Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é sermos poderosos além da medida. É nossa luz, e não nossa sombra, que nos amedronta.
Perguntamos a nós mesmos: quem sou eu para ser brilhante, magnífico, talentoso e fabuloso?
Na verdade, quem é você para não o ser?
Se nos anularmos, isso não vai adiantar nada para o mundo. Não é nada esclarecido encolher para que as pessoas ao seu redor não se sintam inseguras.
Nascemos para manifestar a glória que está dentro de nós. Ela não está apenas em alguns de nós, está em todos - e, quando deixamos brilhar nossa própria luz, conscientemente damos permissão às outras pessoas para fazerem o mesmo.
Quando nos libertamos de nossos temores, nossa presença automaticamente liberta os outros."
(do fime Prova de Fogo)